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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Divisão do Estado do Pará

Com o apoio do governo Lula e dos governos estadual e municipais, o imperialismo coloca em marcha um movimento separatista para manter um controle mais estreito sobre as riquíssimas reservas naturais locais e a repressão contra trabalhadores sem-terra

28 de maio de 2008
Os que defendem a divisão do Pará e a criação de três novos estados - Xingu, Tapajós e Carajás - afirmam que a divisão beneficiará milhões de pessoas que sofrem com a falta de acesso à educação, saúde, saneamento, transportes, emprego e energia elétrica, trazendo para estas áreas mais investimentos e mais empregos. A demagogia e o cinismo dos políticos burgueses não têm limites.
Na verdade, esta é a isca para a população morder o anzol dos reais interesses que estão por trás deste plano separatista que visa apenas repartir a pobreza para a esmagadora maioria da população paraense, enquanto que as riquezas continuarão sob controle de uma minoria, isto é, dos capitalistas.
Segundo o projeto de criação do estado de Carajás, por exemplo, o novo estado incluiria 38 municípios que atualmente vivem isolados da capital Belém numa distância de cerca de 500 quilômetros. Este isolamento, na realidade, acontece por causa da exploração das empresas e do latifúndio, condenando milhões de pessoas à uma condição subumana.
O projeto de dividir o Pará tem como único objetivo garantir os interesses e o controle das empresas mineradoras, como a Vale do Rio Doce, além de grandes frigoríficos e latifundiários da região que geram lucros exorbitantes com a pecuária. Este foi o mesmo interesse que resultou na criação de Tocantins e Mato Grosso do Sul.
Com o apoio do governo Lula, o imperialismo articula a redivisão da Amazônia, controlando com maior facilidade seus recursos naturais, como o petróleo, o ouro e todo tipo de minério, e suas áreas estratégicas. Além disso, o plano visa também aprofundar a repressão no campo e promover mais massacres com os sem-terra que lutam por um pedaço de chão para poder plantar e sobreviver.
 
Quem é dono do Pará?
 O projeto de criação do estado de Carajás abrange as regiões Sul e Sudeste do Pará, cobrindo 38 municípios numa área de 285 mil quilômetros quadrados e com uma população de 1,3 milhão. 
Só a região Sudeste do Pará representa um terço da economia do estado. Para se ter uma idéia do investimento feito ao longo dos anos pelas empresas que atuam na região, em 1980 o Sudeste respondia por 12% do Produto Interno Bruto (PIB) paraense. Em 2004 já havia subido para 32%, enquanto que o PIB de Belém caiu de 48% para 40% no mesmo período.
É nesta região onde estão localizadas também a Represa Tucuruí, hidrelétrica constituída na década de 70 que condenou milhares de famílias indígenas e ribeirinhos, e a Serra dos Carajás, região da Serra Pelada, a maior área de garimpo a céu aberto do mundo.
A área concentra cerca de 14 milhões de cabeças de gado - muito mais do que a própria população - e estão instalados dezenas de frigoríficos. É também uma área riquíssima no setor madeireiro, siderúrgico e, claro, no minério de ferro, uma das mais valiosas commodities no momento. 
Os dados foram levantados pelo Diagnóstico Integrado em Socioeconomia para os Empreendimentos da CVRD no Sudeste do Pará. Isso mesmo, pela Companhia Vale do Rio Doce, a maior exploradora de minério do mundo.
A Vale agradece até hoje o acerto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em privatizá-la. Em 2007, a companhia investiu na região R$ 12,3 bilhões. Até 2010 terão gastos mais de R$ 25,8 bilhões. Este investimento foi “dinheiro de gorjeta” para os ganhadores da loteria de FHC que vendeu uma empresa de 3 trilhões por três bilhões. Assim qualquer um fica bilionário.
A Vale se tornou a pedra angular para a movimentação da economia da região de Carajás. Estudos mostram que a economia do Sudeste paraense cresce o dobro do crescimento chinês, a economia que mais cresce no mundo atualmente graças às commodities.
O PIB per capita do Sudeste do Pará era de R$ 6.765 em 2003, enquanto que o do Pará é de R$ 4.367.
A Vale conseguiu bater no ano passado a marca de um bilhão de toneladas de minério de ferro produzido em Carajás. São em média 45 milhões de toneladas de minério por ano. A Companhia pretende atingir dois bilhões em menos de uma década.
Há muito o que explorar ainda. A jazida de Carajás tem 18 bilhões de toneladas. No entanto, se o ritmo de crescimento continuar aumentando, em apenas um século toda a reserva de minério já estará esgotada.
Onde está toda essa riqueza? A Vale diz em seus autos que explora a região visando a responsabilidade social, mas todo este lucro espantoso está na mão de um grupo minoritário de capitalistas corruptos exploradores de um povo que mal tem o que comer.
Em Carajás a indústria do ouro volta a ser a bola da vez. A empresa canadense Colossus Minerais já estuda a quantidade de ouro ainda existente na Serra Pelada e mantém o monopólio do garimpo.
É também na região de Carajás onde aconteceu um dos maiores massacres contra os camponeses pobres. Em abril de 1996, dezenas de camponeses foram assassinados pela Polícia Militar no município de Eldorado dos Carajás por lutarem por um pedaço de terra.
Em novembro de 2007, milhares de famílias foram expulsas, presas e torturadas pela maior operação militar já realizada no estado desde a ditadura. O governo Lula está levando o conflito no campo para uma guerra civil aberta, onde os trabalhadores sem-terra são tratados como bandidos e os latifundiários estão acima da lei para impor seus interesses e o terror contra essas famílias.
 
Projeto separatista
 
Há outros projetos em curso, como a criação do estado do Araguaia, Maranhão do Sul e muitos outros. O movimento separatista no Pará e em outros estados está sendo orquestrado principalmente pelo imperialismo, que está promovendo o mesmo crime na Bolívia, onde querem separar pelo menos quatro departamentos (estados), os mais ricos do país em recursos naturais e desenvolvimento econômico.
Além da dominação das empresas de forma definitiva, a criação de mais estados resultará na eleição de mais deputados e mais senadores, o que aumentará a corrupção no Brasil. Permitirá também a extensão de mandatos. Um exemplo clássico foi o do ex-presidente José Sarney, eleito senador em 1990 após criarem o estado do Amapá.
Muitos políticos latifundiários estão comprando terras no Pará, dentre eles o próprio Lula, seu filho "lulinha" e o coordenador de campanha do presidente, Duda Mendonça. Estes são os mais novos caciques proprietários de terras no Sul do Pará.
Por detrás de toda a luta que se desenvolve no Pará entre camponeses e índios, de um lado, e os latifundiários e grandes capitalistas de outro nada mais é que uma luta pelo controle da terra.

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Proposta de Divisão do Estado do Pará

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